A crise como estímulo para novas oportunidades

Por Juliana de Matteo

Juliana de Matteo
Coordenadora de RH da Engimplan

A pandemia gerou um caos mundial, nos dando a impressão de que, num piscar de olhos, fomos lançados para um novo universo e orientados a buscar novas formas de se viver, de comunicar, de trabalhar, demonstrar nossos sentimentos, de nos distanciarmos fisicamente, e, ao mesmo tempo, permanecermos juntos, ainda que virtualmente. De tudo isso, o que fica é que o aprendemos através dela.

Em um primeiro instante, ficamos sem saber o que fazer, desconfortáveis e com medo do que estaria por vir. Em toda dificuldade podemos ressignificar a situação, deixar esses sentimentos que podem se tornar tóxicos e abrir as portas para algo muito maior e melhor.

O momento nos remete a olhar para dentro e refletirmos sobre quem somos e o que pensávamos ser. Em outros tempos estávamos dizendo que, por causa da rotina acelerada não conseguíamos ficar com a nossa família, curtir nossa casa, ler aquele livro desejado. Agora temos tempo para tudo isso e, simplesmente ficamos desesperados pela falta da rotina. Queríamos tempo para introspecção, agora que temos, gastamos ele com as redes sociais, nos streamings de filmes e séries, nas lives, por horas. Mas, e o tempo da introspecção? O que aconteceu?

Embora o exposto seja uma verdade, após alguns dias desde o início das medidas protetivas, chego à conclusão de como nós seres humanos somos capazes de nos reinventar, de nos adaptar à nova rotina, encontrando outras rotinas.

A situação nos permitiu trabalharmos algumas habilidades, dentre elas: a nossa criatividade, desenvolvendo novas formas de comunicação, ainda melhores, mais diretas para nos fazer entender, ou seja, também o fato de sermos orientados a desacelerar e ficar em casa cooperou para que pudéssemos aprimorar o nosso lado criativo e a sairmos melhores do que quando entramos.

Mudamos nossa maneira de pensar diante da transformação do planeta, e assim, seguimos nos reinventando constantemente e, nesse grande mar de incertezas, a única certeza é a de criar grandes e novas oportunidades para o nosso engrandecimento. Para ultrapassarmos essa fase que chamamos de ruim, precisamos compreender que é na crise que  evoluímos, seja profissionalmente ou intelectualmente, que nos reavaliamos e checamos nossa capacidade de suportar diante da dificuldade e que sempre há crescimento, nos arremessando para frente e nos despertando para algo muito maior e melhor.

No trabalho em home office, encontramos novas maneiras de estarmos em movimento, realizar reuniões mais objetivas e eficientes, estarmos mais próximos das equipes mesmo que de forma virtual, nos atualizarmos e tomarmos decisões num curto prazo. Quando pensávamos que nos perderíamos na procrastinação, nos encontramos os mais produtivos possíveis, quando pensávamos que 9 horas de trabalho em casa não seriam suficientes para a quantidade de compromissos, nos encontramos com tempo de sobra para uma leitura, aulas online ou simplesmente ócio, produtivo, diga-se de passagem.

Nesse sentido, encontramos na educação à distância formas para aprender mais, no consumo consciente, formas de não contribuirmos para degradar ainda mais o meio ambiente que, convenhamos, nesses tempos, mostrou-se mais lindo como nunca, com ar puro e pôr-do-sol estonteante. Encontramos o real motivo do que significa a máxima “menos é mais”, ressignificar nossos modelos culturais de que só aprendemos presencialmente, só comemos bem se for no restaurante, ou ainda que só existe ginástica dentro da academia. Estamos dando mais valor ao minimalismo.

Criar oportunidades nesse momento caótico foi o gatilho para sairmos da letargia, da tristeza, da ansiedade para nos lançarmos além. Quando nos conhecemos, descobrimos forças que não imaginávamos ter, nos redescobrimos seres melhores. A cada dia de reflexão, de nos olharmos no espelho e refletirmos sobre quem somos, nosso interior, redescobrimos faces de nós mesmos que não conhecíamos e novas chances de sermos melhores conosco e com o semelhante. Renascemos a cada dia.

E você, o que tem ressignificado nesse momento de pandemia?

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